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Pergunta: "O que é a armadura de Deus?"

Resposta: A frase “toda a armadura de Deus” vem da passagem do Novo Testamento: “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6:13-17).

Efésios 6:12 indica claramente que o conflito com Satanás é espiritual e, portanto, nenhuma arma física pode ser usada efetivamente contra ele e seus demônios. Não temos uma lista de táticas específicas que ele vai usar. No entanto, a passagem é bem clara ao dizer que quando seguimos todas as instruções fielmente, vamos poder resistir ao poder do mal e ter vitória, qualquer que seja a sua ofensa.


A primeira parte de nossa armadura é a verdade (versículo 14). Isso é fácil de entender, já que Satanás é o "pai da mentira" (João 8:44). Decepção é uma das primeiras coisas que Deus considera ser uma abominação. Uma "língua mentirosa" é uma das coisas que “o SENHOR aborrece” (Provérbios 6:16-17). Ele diz claramente que nenhum mentiroso vai entrar no céu (Apocalipse 22:14-15). Somos então exortados a usar a verdade para a nossa própria santificação e libertação e para o bem daqueles a quem somos testemunhas.

No versículo 14 somos encorajados a nos vestir com a couraça da justiça. Uma couraça iria proteger um guerreiro contra um golpe fatal ao coração ou outros órgãos importantes. Essa justiça não é obras de justiça feitas pelos homens – apesar de que elas seriam barreiras de proteção quando usadas contra acusações e censuras do inimigo. Ao invés disso, essa é a justiça de Cristo, imputada por Deus e recebida pela fé, a qual guarda os nossos corações contra as acusações de Satanás e protege o nosso ser interior contra seus ataques.

Versículo 15 fala da preparação dos pés para o conflito espiritual. O soldado moderno, assim como o guerreiro da antiguidade, precisa prestar bastante atenção aos seus pés. Às vezes o inimigo da antiguidade colocava obstáculos perigosos no caminho dos soldados que estavam avançando. Isso é bem parecido com os campos minados de hoje. Doenças também podem danificar os pés de um soldado que não tem seus pés protegidos. A idéia de ter o evangelho da paz como calçado sugere o que precisamos para poder avançar no território de Satanás; precisamos da mensagem da graça, a qual é tão essencial para ganhar almas para Cristo. Satanás tem colocado muitos obstáculos no caminho da propagação do evangelho.

O escudo da fé, ao qual o versículo 16 se refere, torna ineficaz o ataque de Satanás de plantar dúvidas em relação à fidelidade de Deus e Sua Palavra. Nossa fé – da qual Cristo é o autor e consumador (Hebreus 12:2) – é como um escudo de ouro, precioso, sólido e importante. Esse escudo é como um escudo de guerreiros fortes, pelo qual coisas importantes são alcançadas, e pelo qual um crente não só repele, mas também conquista o inimigo.

O capacete da salvação do versículo 17 protege a cabeça e serve para proteger uma parte do corpo que é tão importante. Podemos dizer que o jeito que pensamos precisa de preservação. A cabeça de um soldado era uma das partes principais a serem defendidas, pois ela podia sofrer um dos ataques mais mortais, e é a cabeça que comanda todo o corpo. A cabeça é o centro da nossa mente, e quando ela possui a “esperança” certa do Evangelho de vida eterna, não vai receber doutrina falsa, ou deixar-se influenciar pelas tentações de Satanás de desespero. Uma pessoa não salva não tem nenhuma esperança de se proteger dos ataques de falsa doutrina porque sua mente é incapaz de discernir entre verdade e mentira.

Versículo 17 interpreta a si mesmo em relação ao que quer dizer com a espada do Espírito. Enquanto o resto da armadura é em sua natureza armas de defesa, aqui se encontra a única arma de ataque na armadura de Deus. Ela se refere à santidade e poder da Palavra de Deus. Uma arma espiritual maior não existe. Nas tentações de Jesus no deserto, a Palavra de Deus sempre predominou em suas respostas a Satanás. Que benção saber que a mesma Palavra também está disponível a nós!

Orar no Espírito (quer dizer, com a mente de Cristo, com Seu coração e Suas prioridades) como vemos no versículo 18 é o ponto auge do que está envolvido em nos preparar e utilizar todas as armas de Deus anteriormente mencionadas. É significante que essa passagem das Escrituras é tão fiel às prioridades de ministério destacadas por todas as epístolas de Paulo; ele acredita que oração é o elemento mais importante para a vitória e maturidade espirituais. Ele deseja ardentemente esse tipo de oração em sua vida também (versículos 19-20).

Enchei-vos do Espírito Santo

O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos da cidade de Éfeso, orientou:
“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.” Efésios 5.18-21.

Como vemos, o encher-se do Espírito Santo significa exercitar a fé em toda a sua plenitude. Quando absorvemos os pensamentos ou as idéias de alguém, estamos absorvendo o espírito desse alguém. Assim é com relação ao Espírito de Deus.

Quando nos alimentamos dos Seus pensamentos, através da leitura da Sua Palavra, estamos nos enchendo do Espírito Santo. O Senhor Jesus disse: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.” João 7.38

Trata-se daquele que acredita n’Ele de acordo com a Bíblia, não de acordo com os homens ou as religiões. A reação disso é que do seu íntimo vai fluir o Espírito Santo, isto é, quando falar, a sua expressão vai ser como a de Deus.

De outra forma, pode alguém estar cheio do Espírito de Deus e manifestar dúvida, medo, ansiedade ou preocupação? Não, claro que não! Quando alguém está cheio do Espírito Santo, flui o que está dentro de si.

É como nós temos visto: quando alguém está possesso, então se manifesta como possesso; fala como possesso e se expressa como possesso. Da mesma forma, quando alguém está cheio do Espírito, fala com a autoridade de Deus e se manifesta como sendo um profeta de Deus, porque o Espírito de Deus usa o seu ser para Se exprimir ao mundo.

O apóstolo João, descrevendo a Nova Jerusalém, fala: “Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.” (Apocalipse 22.1). Este rio é o Espírito de Deus, que tem saído pelo mundo, para dar vida àqueles que acreditam na Sua Palavra e a colocam em prática.

Quando a pessoa crê de todo o coração na Bíblia, então o Espírito de Deus toma posse dela e faz fluir fé, certeza e convicção daquilo que tem sido invisível.

Extraído do Livro Os Mistério da Fé.

Como receber o Espírito Santo!

“E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam...”  Atos 19.6


Desvendando o mistério

Muitas pessoas têm ouvido falar sobre o Espírito Santo, batismo no Espírito Santo, falar em línguas, etc., mas sem ter ainda um esclarecimento sobre o assunto. Sem entrar em muitos detalhes, tentaremos tornar mais claro este assunto sobre o Espírito Santo e Seu relacionamento com o cristão convertido.

Não posso enfatizar demais o quão importante é para todo cristão buscar, receber e manter o batismo no Espírito Santo. Ele é a garantia de Deus para a nossa salvação. Ele é o poder que capacita o cristão a praticar a Palavra de Deus e perseverar até o fim. (Já que o próposito é esclarecer, tem que ser dito que o Espírito Santo não impede o cristão de cair em pecado e voltar ao mundo, e eventualmente até perder sua salvação. Ele enche a pessoa de poder, mas nunca tira sua liberdade de decidir o que ela quer para si mesma, o livre-arbítrio).

O Espírito Santo é Deus em você. Não com você, mas dentro de você. Os benefícios disto são obviamente intermináveis.

Então como alguém recebe o Espírito Santo?

Aqui estão os passos que temos observado acontecerem na Bíblia e na vida de milhares de crentes ao redor do mundo.

Primeiro: A pessoa ouve a respeito da existência do Espírito Santo e a promessa do derramamento dEle. Se você está lendo isso, você já deu esse primeiro passo.

Segundo: A pessoa crê na promessa e deseja recebê-la. Neste estágio é importante entender que o Espírito Santo é uma promessa de Deus para nós por causa da sua graça e amor. Não merecemos recebê-lo, mas podemos reivindicar este direito da mesma forma em que cremos nas outras promessas de cura, perdão, etc. O Espírito Santo vem sobre uma pessoa, não pelos seus méritos, mas pela fé na promessa.

Terceiro: A pessoa começa a buscar esta promessa fervorosamente, mais que qualquer outra bênção que ela deseje. Se o Espírito Santo não for o primeiro em nossos corações, Ele também não será o segundo. O desejo pelo batismo tem que ser mais forte que o desejo por outras bênçãos. Ele tem que se tornar a prioridade número um nas orações da pessoa.

Quarto: A pessoa reconhece a necessidade de limpar sua vida. Ninguém bebe água limpa em um copo sujo – primeiro ela o lava e depois enche-o de água para beber. O Espírito Santo é a viva água limpa; a pessoa é o copo, ou Seu templo. Antes que Ele venha e habite nela, a pessoa tem que limpar sua vida e garantir que ela esteja limpa. Ela tem que abandonar e ficar longe do pecado. Isto prepara seu coração para o derramamento do Espírito Santo.

Quinto: À medida que a pessoa busca o batismo através das orações nas reuniões do Espírito Santo, jejuns, vigílias, orações pessoais, na meditação da Palavra de Deus, no louvor e adoração, humildade, e ardente desejo do coração, o Espírito Santo é atraído por aquela pessoa como a abelha é atraída pela flor.

Sexto: À medida que o desejo sincero por Deus cresce no coração da pessoa, o Espírito Santo finalmente vem e batiza a pessoa com Sua presença. Isto significa que Ele entra na pessoa e passa a morar permanentemente lá, em seu coração. Este momento é normalmente marcado pela experiência de transbordante alegria, amor e certeza. A pessoa sente felicidade daquele momento em diante. Ela também sente um grande amor por Deus e por outras pessoas, até mesmo por seus inimigos. Uma certeza absoluta entra em seu coração, confirmando que ela pertence a Deus e que nada mais pode lhe abalar – medo, depressão, ou qualquer outro problema.

Sétimo: A pessoa fala em línguas. Esta língua é conhecida na Bíblia como a ‘língua dos anjos’. Seu propósito é capacitar o cristão a orar de uma maneira que ele não pode em Suas próprias palavras, para sua própria edificação espiritual. Isto acontece durante o processo do batismo. Enquanto ele louva a Deus, Deus lhe dá novas palavras para que a pessoa possa falar com Ele. Isso pode, à princípio, ser somente algumas palavras – mas o dom se desenvolve e torna-se mais fluente com a prática. É importante notar que quando a pessoa é verdadeiramente batizada com o Espírito Santo, ela fala em línguas. Não existe isso da pessoa batizada com o Espírito Santo não falar em línguas – exceto é claro se a pessoa não usar esse dom.

Oitavo: A vida do cristão passa por uma mudança radical depois desta experiência. Seu caráter é agora como o próprio caráter de Deus. O que a Bíblia chama de ‘frutos de Espírito’ começa a se manifestar naturalmente na vida da pessoa. Esta é a prova mais evidente do batismo – os frutos.

Se você deseja receber o Espírito Santo – Deus em você –, então siga os passos acima fielmente. Não se preocupe com muitas perguntas e detalhes – somente creia! Creia na promessa e O busque pela fé. Deus deseja mais lhe dar o Espírito Santo do que você deseja recebê-Lo, isto é certo!

Sei que isto é um clichê, mas vou falar assim mesmo: sua vida NUNCA mais será a mesma depois que o Espírito de Deus descer sobre você. Nunca mais.

Se quiser ignorar a importância do Espírito Santo, a escolha é sua.

O pecado e o perdão

O caráter do perdão


O perdão é fruto da ação do Espírito Santo em nós. Uma pessoa não pode perdoar outra perfeitamente se não houver da parte do Espírito de Deus uma ação direta no coração da ofendida, capaz de convencê-la a isentar de culpa ou perdoar quem a ofendeu.

É verdade também que o Espírito Santo, sendo Agente do perdão, produz em nós o arrependimento, através do convencimento do pecado, livrando-nos de guardar ódio, rancor ou qualquer ressentimento de alguém.

O perdão independe do arrependimento

É evidente que o princípio do perdão funciona independentemente do arrependimento, haja vista ser uma ação unilateral, ou seja, tem de partir da pessoa ofendida, ainda que o ofensor não tenha tomado qualquer atitude no sentido de receber o perdão.

Isso porque exprime uma qualidade, segundo o caráter do próprio Deus. Consideremos o procedimento do Senhor Jesus, já pregado na cruz, quando disse, referindo-Se aos Seus próprios adversários e assassinos, que d’Ele escarneciam: “...Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem...” (Lucas 23.34).

Ele não só orou por eles como também os defendeu diante do Pai! Um caráter assim se encontra apenas naqueles que têm as suas emoções controladas totalmente pelo Espírito Santo.

Da mesma forma aconteceu com Estêvão, que, enquanto estava sendo apedrejado, orou: “...Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.” (Atos 7.60).

Quantas vezes, enquanto estamos sendo também apedrejados, no sentido figurado, oramos pedindo vingança, justiça, fogo do céu, o peso da mão do Senhor, etc.?

Mas o autêntico cristão reage diante do ódio e das ofensas recebidas com o mais profundo amor, em forma de oração e perdão. Mas como pode o perdão ocupar o lugar da ira?

A personalidade humana é fruto do meio em que vive, ou seja, da sociedade materialista reinante neste mundo, e isso cria no homem o sentimento de autodefesa, do tipo “olho por olho, dente por dente”.

Deus, conhecendo a natureza humana, até permite que o cristão venha a se irar, devido às circunstâncias, sem que essa ira seja pecado, conforme vemos: “Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai.” (Salmos 4.4); “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo.” (Efésios 4.26,27).

Observamos que a ira em si não é pecado, desde que seja momentânea. Todos os seres humanos estão sujeitos a ela; os cristãos, por mais espirituais que pareçam, são passíveis dessa reação natural, fruto das suas emoções.

Ela não pode, entretanto, ultrapassar uma noite e continuar no outro dia. Permanecendo a ira, é como se abrisse um espaço no coração para o diabo. Como agir, então, mediante a ofensa de alguém?

Se o amigo leitor não consegue controlar as emoções de ira, é melhor esperar os momentos de tensão nervosa passarem e, então, parar e analisar cuidadosamente as circunstâncias que produziram a situação.

Procure levar em consideração o motivo do ofensor, colocando-se no lugar dele, e certamente o Espírito Santo fará a Sua parte na retirada daquela ira.

Tudo isso é muito difícil de colocar em prática, quando a pessoa não está realmente interessada em viver o cristianismo e pautar a sua vida pelos padrões bíblicos. Quando, entretanto, deseja sinceramente andar nas pegadas do Senhor Jesus, então nada nem ninguém poderá impedi-la.

Retirado do livro "Estudos Bíblicos", do bispo Macedo.

Lugares da Bíblia: O Monte Moriá

A montanha onde Abraão teria levado seu filho Isaque para sacrifício é hoje importante para três culturas diferentes, além de uma área urbana com muitas opções turísticas.



Há milhares de anos, o Monte Moriá foi local de importantes passagens bíblicas. Situado na atual região da Cidade Velha, em Jerusalém, Israel, acredita-se que nele o patriarca Abraão subiu para sacrificar seu filho Isaque, segundo mandamento de Deus (leia Gênesis 22:2). Também foi nele que Davi viu o anjo que destruiria Jerusalém, ainda segundo ordem de Deus, insatisfeito com seu povo (leia 2 Samuel 24). Tendo o Criador mandado o anjo parar com a destruição, Davi adquiriu a preço justo a terra em que vira o anjo e ergueu ali um altar, mais tarde incumbindo seu filho Salomão de erguer no local o famoso templo que substituiria o Tabernáculo, obra das mais arrojadas do planeta na época.

Como deixam claros os relatos bíblicos, a região era inabitada na época. Salém, o povoado que mais tarde daria origem a Jerusalém, ficava nas cercanias. Muito após Abraão, nos tempos de Davi, o famoso rei dos judeus comprou aquelas terras no episódio do anjo destruidor de Jerusalém, onde ficava então uma eira (área de terra batida usada para debulhar e secar grãos) dos jebuseus, a preço justo. O monarca ordenaria que ali fosse construído o famoso templo de adoração a Deus.

Hoje, a área é dominada pelos muçulmanos, sendo proibido aos judeus entrarem onde antes ficava o grande templo destruído pelos romanos. Conhecida como a Esplanada das Mesquitas, a área tem em seu centro o Domo da Rocha, santuário islâmico onde o profeta Maomé teria ascendido aos céus, segundo a tradição de seu povo. Logo abaixo, no que restou das muralhas de arrimo do outrora imenso templo, está o famoso Muro das Lamentações, área de peregrinação de judeus de todo o mundo.

O Monte do Templo, um dos vários nomes do local, possui importante sentido sagrado para cristãos, muçulmanos e judeus, a despeito das discórdias entre as tradições. Os judeus acreditam que ali deve ser reerguido o grande templo, nos tempos de seu messias, que ainda não veio. Sua tradição proíbe o acesso à área, pois o local é sagrado para eles e poderiam, sem querer, violar a área em que antigamente se situava o Santo dos Santos, área do templo em que só o sumo sacerdote poderia pisar para falar diretamente com Deus. Como não se sabe exatamente onde a estrutura interna do templo ficava, proíbe-se a área em geral.

Várias mesquitas foram construídas ao redor do cume do monte, em volta da grande cúpula forrada de ouro que pode ser vista a quilômetros de distância, dominando a paisagem da atual Jerusalém.

A região do Monte do Templo

O Monte do Templo, situado em Jerusalém, é um dos menores montes da região, com 743 metros acima do nível do mar. Ele faz divisa ao oriente com o Portal Dourado (foto) – segundo a tradição cristã, através dele Jesus entrou em Jerusalém, e, na tradição judaica, é por onde entrará o Messias, pois os judeus não creem que Jesus o seja.

Jerusalém é uma cidade montanhosa e, entre todas as montanhas, o Monte Moriá é o mais próximo à Cidade Velha de Jerusalém, fazendo divisa a oeste com o Muro das Lamentações, o lugar mais sagrado do mundo para os judeus por ser o que restou do Segundo Templo.

A Cidade Velha

A Cidade Velha de Jerusalém, construída originalmente pelo Rei Davi em 1004 a.C (antes de Cristo), desde aquela época foi considerada o centro do mundo para sua cultura. Mapas antigos mostram os três continentes conhecidos naquela época: Europa, Ásia e África, situadas em um círculo com Jerusalém no centro.

Glorificada por reis, governantes e conquistadores, muitos tentaram saqueá-la, dada a sua importância histórica para as três maiores religiões do mundo. Peregrinos, mendigos, mercadores, estudantes, grandes sábios, guerreiros e escravos andaram por suas ruelas, e talvez esse seja um dos motivos pelos quais a Cidade Velha possui a atmosfera de um passado ainda vivo em suas antigas construções, devidamente preservadas.

Tombada como patrimônio mundial da humanidade em 1981 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a Cidade Velha de Jerusalém, cercada por uma muralha de mais de 4 quilômetros, sete portões, 34 torres e uma cidadela (a Cidade de Davi), é dividida em quatro quarteirões residenciais:

O bairro árabe - No quarteirão árabe, ao lado do Muro das Lamentações, encontra-se o Shuk (mercado) Árabe. No entanto, os shuks são verdadeiras instituições sociais, mais do que simples feiras. São celebrados por serem os lugares mais democráticos em qualquer país do Oriente Médio. Por lá ocorrem discussões calorosas sobre preços e pechinchas.

Um shuk é ideal para comprar lembranças típicas da região, como pashminas (lenços ornamentais femininos), tecidos, tapetes, enfeites para a casa, narguiles (grandes ampolas de vidro para o fumo de ervas), camisetas turísticas, temperos e especiarias, além de provar deliciosos doces árabes. Um dos poucos locais no Oriente Médio em que é possível fazer compras em português (ou em diversas línguas), devido à pluralidade de turistas que passam pela região diariamente; os comerciantes árabes, para conquistar mais clientes, aprenderam o básico de cada idioma. É comum alguns deles chamarem um cliente brasileiro de “pão-duro” (em português mesmo) por não comprar seus produtos, o que não quer dizer que as negociações estejam fechadas.

O bairro judaico - Nele, além de residências e sinagogas, encontra-se o Muro das Lamentações. A visitação ao muro é aberta a todas as pessoas, sem restrição a crenças religiosas – no entanto, a única exigência é que homens coloquem um solidéu (quipá) sobre a cabeça e que as mulheres cubram ombros e decote.

O bairro também conta com sítios arqueológicos valiosos, como a Casa Queimada (restos de uma casa do tempo da destruição de Jerusalém pelos romanos, há 2 mil anos). E o Cardo, uma rua comercial construída no século VI pelos romanos.

O bairro armênio - Os armênios se estabeleceram em Jerusalém no século IV. Na Cidade Velha, eles construíram o menor entre os quatro bairros. Na região armênia é possível encontrar residências, o Museu Armênio, que mostra a cultura do povo, além de bons restaurantes, que servem a tradicional comida armênia, como o sujuk (uma linguiça de carne de vaca desidrata e temperada com diversas especiarias), shakarishee (um tipo de biscoito amanteigado), ou o salame armênio, a basturma, que é cortada na espessura de uma folha de papel e refogada na manteiga com especiarias e ovos.

A cerâmica armênia  é muito comercializada no bairro da Cidade Velha. São lindas e delicadas peças decoradas que refletem a tradição do país.

O bairro cristão - O quarteirão possui mais de 40 igrejas, monastérios e albergues que foram construídos para os peregrinos cristãos. No centro do quarteirão se encontra a Igreja do Santo Sepulcro, ou a Igreja da Ressurreição, o lugar no qual Jesus foi enterrado depois da sua caminhada final rumo à cruz, conhecida como Via Dolorosa. O caminho, ainda demarcado, começa no pátio onde fica atualmente o Portão do Leão e termina no Monte do Calvário, onde Cristo foi crucificado. Muitos peregrinos cristãos andam pela via, seguindo a trajetória final do Messias.

A questão do sacrifício de Isaque

Muito se questiona a passagem bíblica da tentativa de sacrifício de Isaque por Abraão, seu pai. Cristãos recém-convertidos (mesmo alguns veteranos) não conseguem entendê-la em uma primeira análise. E não há como culpá-los, até que seja feita uma interpretação mais interessante. À primeira vista, Deus quis de Abraão uma prova de fidelidade e amor, para isso devendo sacrificar seu filho legítimo prometido a ele pelo próprio Senhor. Abraão, mesmo sempre tendo confiado em Deus enquanto muitos duvidariam, seguiu a ordem. Não se pode dizer que seu coração não estava apertado, e que ele não lamentaria a morte do filho.

Isaque, vendo o feixe de lenha e o cutelo, perguntou sobre o cordeiro que seria imolado. Abraão, em uma mistura de esperança e de fuga do assunto, só respondeu que Deus providenciaria o animal. No topo do monte na região de Moriá, onde Deus lhe ordenara, o patriarca judeu amarrou o filho e levantou a lâmina para matá-lo em sacrifício sobre o altar. Um anjo do Senhor interrompeu o ancião, desobrigando-o do ato.

Mas como Deus seria capaz de pedir a um pai para matar o próprio e adorado filho? É exatamente aí que está uma das questões mais interessantes do episódio. Abraão, tendo esperado uma vida quase inteira por um filho, de certa forma idolatrava Isaque.

No fim das contas, o ancião não subiu ao monte para perder seu filho, mas para encontrá-lo. Não subiu para perder um filho, mas para perder um ídolo.

Abraão, desta forma, entendeu que deveria adorar a Deus somente, e amar seu filho como filho, não como objeto de adoração. Entendeu não só seu amor por Isaque, como o amor de Deus por todos.

A idolatria consiste, em uma definição mais simples, em achar que algo ou alguém são imprescindíveis à sua vida. Uma pessoa querida, um trabalho, um bem material, um vício e tantas outras coisas que, amadas da forma errada, nos fazem pensar que seria impossível viver sem elas.

Deus, na lição que deu a seu amado Abraão, só lhe ensinou a amar da forma certa. Não há nada de errado em amar nossa família, nossas conquistas, nossos bens, desde que isso seja feito da forma certa, cada coisa em seu lugar com o amor apropriado a elas. Muitos de nós precisamos levar nossos Isaques a um Moriá.

Lugares da Bíblia: Megido


Megido, em Israel, é um importante lugar quando falamos em acontecimentos bíblicos. Era uma das mais importantes cidades das épocas abordadas na Palavra. Escavações mostram que mais de 20 cidades diferentes foram erguidas no mesmo local, uma sobre a outra, por povos diferentes ao longo dos séculos. Hoje, é um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo.


Lá, o faraó Neco matou o rei Josias, que depois foi transportado e sepultado em Jerusalém. Estudiosos concluem que Megido é o lugar onde a profecia do livro de Apocalipse terá seu ponto culminante – não por acaso, o nome da localidade, traduzido para o latim, é “Armageddom”.

A Megido bíblica ficava em uma elevação próxima ao monte Carmelo, no fértil vale do Jezreel. Hoje o local é desabitado. Bem próxima dele está uma povoação com o mesmo nome, em sua homenagem, Tel Meggido. A área de importantes achados históricos foi declarada Patrimônio Mundial da Unesco em 2005, junto com Berseba.


A cidade ficava em uma posição estratégica para a época bíblica, pois estava à beira da Via Maris (Caminho do Mar), uma estrada internacional que começava no Egito, passava pelo vale do Jezreel e ia em direção a Damasco, na Síria.

Mais de duas dezenas de cidades foram erguidas no local, uma sobre a outra, em cerca de 5 mil anos de história. Quando uma era tomada e destruída, os conquistadores construíam uma nova sobre as ruínas, e assim sucessivamente. Após Neco ter matado Josias (leia 2 Reis 23), o lugar foi abandonado e nunca mais habitado novamente.

Por vários acontecimentos, Megido é citada em sete livros da Bíblia: Josué, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Juízes e Zacarias.

No século 20, as escavações arqueológicas no local começaram mais intensamente. As mais importantes se deram entre 1925 e 1939, conduzidas pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, revelando construções e artefatos de todas as civilizações que ergueram ali suas antigas cidades. Com o início da Segunda Guerra Mundial, os trabalhos foram encerrados, mas retornaram com força total no final do século, em 1994.

Uma das principais atrações turísticas de Megido é um longo túnel (foto) de 120 metros, antes utilizado como aqueduto e depois como rota de fuga para fora da cidade fortificada, em caso de emergência. Hoje há passeios monitorados, contando as várias histórias dos vários povos que habitaram a região.